ESCLARECIMENTO SOBRE ALOE VERA

Identificação 
O nome popular em português dado em geral às Aloés é  "Erva-babosa" e na vizinha
Espanha é  "Savila". Outros nomes populares são:  “Planta Miraculosa”,   “Cato
Miraculoso”, “Lily of The Desert”, “Chandala”, Etc.

Aloés, são plantas fanerogâmicas, Angiospérmicas, suculentas, carnudas de folhas
lanceoladas parecidas (e por isso confundidas) com agavas e cactos mas que não são de
maneira nenhuma da família das crassuláceas, agaváceas, ou cactáceas como se tem
divulgado ultimamente nos jornais, como sendo cactos. As Aloés são da família das liliáceas
tal como são as cebolas, os alhos, as tulipas; formando somente um conjunto biológico
caracterizado por possuir determinadas características comuns e específicas. O seu tecido
fundamental do ponto de vista biológico e botânico, é o seu parênquima aquífero com cerca
de 99,5% de água.

Actualmente é designado o nome Aloe Vera somente à planta da espécie Barbadencis Miller
(com sinónimos de Aloe vera Linne; Aloe vera vulgaris Lamarck, Aloe vera fava Pers, Aloe
vera elongata Murry, Aloe vera Baker.) e a uma sua variante asiática mais pequena de nome
vera chinensis Baker. Mas, entre todas as Aloés, a Aloé seleccionada por cientistas como a
melhor em termos de benefícios para a saúde é a espécie Aloe Vera Barbadencis Miller. Daí
a aplicação do termo latino "Vera" ou seja a verdadeira Aloe. As outras espécies são apenas
designadas Aloés com os respectivos nomes científicos, como no caso da Aloe Ferrox Miller,
Aloe Perry Baker, Aloe Arborescens, Aloé excelsa, Aloé saponária, Aloé miloti, etc. (em
1982 foram relatadas 300 espécies) mas há actualmente uma estimativa para cerca de 350
espécies.

A Aloé mais comum em Portugal e usada em jardins públicos de várias cidades e hortos
particulares, que se tem confundido com a Aloe Vera, é a Aloe Arborescens e também uma
espécie de folha larga e pequena chamada Aloé Mitriformis. A Aloe Arborescens, dá flores
avermelhadas, sendo as suas folhas estreitas muito sobrepostas para os lados e muito
dentadas com picos muito salientes. A Aloe  Vera dá uma espiga com flores amarelas
(embora às vezes e com a idade apareça tonalidades avermelhadas na base). As suas folhas
são maiores e mais largas (quando adultas) tendo 40 a 50cm de comprimento e em geral 10cm
de largura. Estas são voltadas para cima com o limbo menos dentado e com picos menos
salientes.

ALOE VERA
É preciso separar o trigo do joio. 
Aloe Vera, em particular, tem sido usada ao longo da História, como medicamento natural
para diversos casos de doenças e para o rejuvenescimento (A polpa da Aloe Vera tem
propriedades que fazem retardar o processo de envelhecimento das células). A sua
popularidade por muitos séculos no campo terapêutico e cosmético, bem como os registos
deixados desde há 3000 anos antes de Cristo até aos dias de hoje, foi relevante para que
houvesse uma pesquisa séria e científica sobre  esta planta. Em 1981 foi criada nos E.U.A.
uma Associação Internacional Científica sobre Aloe Vera, denominada  I.A.S.C.
(International Aloe Science Council) com quadros técnicos a tempo inteiro, para a pesquisa e
conhecimento exacto, desde as áreas de investigação química, biológica até à aplicação do
produto final no campo da saúde. O  I.A.S.C. está em estrita colaboração com a  F.D.A.
(Organismo que controla remédios e alimentos) americana. O Parênquima purificado e
descontaminado livre do Látex da Aloe Vera, é reconhecido como um alimento suplementar
pela F.D.A. americana e não como droga ou medicamento. Esta polpa é muito nutritiva,
contendo um pequeno número mas rico no seu contexto de polissacarídeos, em aminoacidos,
minerais, vitaminas e enzimas (boas para todo o organismo), contendo também bons agentes
anti-inflamatórios, agentes anti-sépticos e  outros ingredientes que habilitam as defesas
imunológicas do corpo animal a defender-se de doenças resistentes às drogas.

É uma realidade bem conhecida, que as tradições com base em “mésinhas” ou receitas
psicossomáticas e supersticiosas subvertem a  verdade científica, embora o efeito autosugestivo possa produzir bons resultados a doentes psicossomáticos.

Recentemente, em Portugal, as Aloés foram trazidas à atenção por alegadas declarações
bombásticas feitas através de uma receita de composição incompatível do ponto de vista
químico baseada em falso conhecimento científico de Aloés, que curaria a mais antiga das
doenças fatais, o cancro. Essa receita seria a  baba ou seiva de Aloés, (mesmo que seja
realmente a Aloe Vera e alguns até usam a folha inteira), Mel e Whisky ou Conhaque. Claro
que no Algarve se usa o Medronho. Existe até um líquido desses à venda que diz "Xarope de
folha inteira de Erva-babosa, misturar com 1/2 Kg de Mel e 2 cálices de Medronho".
Eis o que diz a Comunidade Científica por parte das autoridades científicas americanas
a respeito das receitas populares referidas:

Essa receita (não a Aloe Vera adequadamente produzida por meios científicos ou com
conhecimento de causa) é uma autêntica panaceia sem qualquer fundamento científico. Um
conto do vigário. Realmente a Aloe Vera quando preparada (descontaminada e purificada) de
forma correcta tem propriedades medicinais cientificamente reconhecidas e benéficas para a
saúde.
 Por exemplo, no 12º Seminário Internacional Científico anual do I.A.S.C., realizado
em 1993, entre outras confirmações científicas, o Dr.Wendell D. Winters, da Universidade do
Texas (do Health Science Center), declarou que  "as pesquisas agora confirmam que as
substâncias da Aloe têm uma forte interacção com as células do nosso sistema imunológico".
Felizmente que hoje em dia, se conhece mais acerca desta planta (sobretudo a partir de 1990),
o que faz bem e o que faz mal. Mas, a Aloe quando usada na forma da tal receita acima
mencionada, ela torna-se um perigo para a saúde pública. Vejamos porquê.
Dr. Al Davis, Chairman (presidente) da "Science & Technical Committee" (Comissão
Técnica e Científica) do I.A.S.C. declarou que o "produto natural usado por esta planta deve
consistir na extracção do parênquima (gel ou a polpa) no interior da folha, com todas as
medidas de esterilização sanitárias, desde os instrumentos passando pela folha em si, até ao
gel.
 Por sua vez o gel tem que ser imediatamente estabilizado e  preservado  com
conservantes alimentar aprovados. Tem que ser correctamente  purificado.
(Descontaminado das bactérias e outros contaminantes bem como remover os antraquinonas
concentrados entre a casca e a polpa, com processos técnicos, nomeadamente a  Aloina
concentrada, “yellow sap”, uma droga laxativa, que os farmacêuticos conhecem quando
transformada em Aloe-emodina, um pó castanho e poderoso purgante. É essa droga apenas
que os dicionários portugueses comentam como sendo a Aloe Vera. Esta droga foi reprovada
pela FDA na inclusão dos sumos de Aloe Vera a partir de 1990. Daí os sumos de marcas
consideradas de confiança e  aprovados actualmente nos E.U.A. serem incolores ou
translúcidos. Todo este processo, para ser eficaz e seguro, tem que ser feito em laboratórios
próprios e por técnicos especializados).
Continuando, o Dr. Al Davis comenta: “... Se não
tomar precauções, o parênquima em si, desta folha, irá conter suficiente bactéria nociva que
causarão diversos tipos de doenças... Porém, quando devidamente estabilizada (e purificada)
oferece segurança e é muito eficaz... Outro problema é adicionar o  mel ao gel da Aloe
contaminado  (seus açucares em forma de glicose), farão duplicar o crescimento das
bactérias aí existentes... Misturando álcool, causará sérios problemas... Toda essa
combinação é um desastre devido a todos os potenciais problemas envolvidos...".
Já em 1988 o Engº.Clinton Howard, formado em química e bioquímica, e então presidente
dos laboratórios Carrington E.U.A. alertava ao dizer que “essa droga laxativa (Aloína) causa
irritações gástricas e é capaz de envenenar o sistema enzimático do revestimento do
estômago”. Depois concluiu “Beber Aloe Vera com o «yellow sap» (Aloína concentrada, a
resina oleosa que fica entre a casca e o Parênquima) não é boa ideia”. Além do
envenenamento do sistema enzimático das células e consequentes intoxicações, esta droga
laxativa causa também úlceras, colites, diarreias prejudiciais e vómitos. A Aloína, bem como
as bactérias da polpa, quando não purificada e descontaminada, podem causar graves lesões
no fígado.

É evidente que se misturar mel adequado  (fonte de calorias) ao sumo (ou tónico)
devidamente preparado, não lhe fará mal nenhum, mas se, como diz esta autoridade na
matéria, Dr. Al Davis, “ao fazer tal mistura (num sumo aprovado laboratorialmente e sem
álcool) há que beber imediatamente. Não se deve guardar (essa mistura) mesmo sendo no
frigorífico”.

Também outro dos técnicos responsáveis do  I.A.S.C. o Sr. Ray Henry, referindo-se às
bactérias existentes na polpa não purificada, “fazem com que as pessoas fiquem doentes...” e
afirma em relação à Aloína (o complexo de maior número de polissacarídeos da Aloé Vera):
“uma droga... laxativa, quando a folha é usada sem remover essa droga, causa sérios
problemas...”. Portanto não é de admirar que pessoas adeptas daquelas receitas populares
estejam sendo hospitalizadas um pouco por todo o país, com distúrbios orgânicos,
nomeadamente dores de barriga, erupções na pele, cólicas e diarreias descontroladas
acompanhadas de cãmbrias intestinais bem como problemas de fígado. Estes sintomas são
nocivos e nada têm a ver com eliminação de toxinas.
O organismo estatal da  F.D.A. (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos,
incluindo a Associação Médica e a Associação Farmacêutica Americana, recomenda que a
Aloe Vera não deve ser usada como laxativo porque causa efeitos nefastos na saúde.
Porém o Parênquima não é reconhecido como droga pela F.D.A. americana.


IDENTIFICAÇÃO DE UM SUMO OU EXTRACTO PURO DE 
ALOE VERA E OS POLISSACARÍDEOS

Para avaliar, a qualidade de um sumo de Aloe Vera, (de acordo com as normas
regulamentares) a “olho vivo”, veja a sua  cor. Tem que ser incolor, mais ou menos
transparente (translúcido), não muito liquido como água, um pouco esbranquiçado pela sua
consistência, mais natural se tiver parênquima flutuante. Os pedacinhos de polpa devem ser
incolores. (A polpa da folha tem 99,5% de água natural consistente da própria planta). Não
deve ser amarelo ou castanho, que sugere a presença, respectivamente de “Yellow Sap”,
Aloina ou Aloe-emodina (castanho avermelhado) e outros contaminantes prejudiciais ao
nosso organismo. A cor castanha pode significar também que o parênquima está oxidado.
Nestes casos os seus polissacarídeos são muito elevados e prejudiciais. (Também pelo facto
de poderem acrescentar açucares).

Conforme e explica a Engª. química M.Orquídia: 
“O complexo do Látex ou "Yellow Sap", é baseado em diversos antraquinonas que dominam
os polissacarídeos, (carboidratos que contêm grande número de grupos sacarídeos) com
princípios activos, sendo alguns de considerável toxicidade e que, devido ao seu excesso,
também intoxicam as células com efeitos negativos e contrários. “

É importante fazer notar que as plantas têm polissacarídeos no seu estado natural.
O parênquima de uma folha com 500g tem cerca de 10 a 14 filamentos muito estreitos com
antraquinonas em quantidades muito pequenas  e não prejudiciais devido ao excesso dos
mesmos. Não prejudica a saúde quando em sua pequena quantidade natural, inferior a 50
PPM (medida estipulada pela F.D.A). O parênquima (polpa), mantido limpo da contaminação
do concentrado de antraquinonas do látex  e de aditivos, devidamente purificado e
estabilizado não chega a dar cor ao produto final e não pode, por litro, ultrapassar tal medida
de antraquinonas sob pena de se tornar tóxico. (A menos que se acrescente adocicantes para
fazer aumentar os polissacarídeos).
Continua a Engª. M.Orquídia:

“A Aloína não é o único agente  activo da Aloe Vera embora se encontre concentrado no
Latex (Yellow Sap). A Aloina é o agente principal da droga laxativa. Apenas o facto de ser
um agente biológicamente activo não quer dizer que não seja tóxico e que não tenha efeitos
negativos na saúde.

A polpa fresca e pura da folha, não deve ser contaminada pelo processo de “whole leaf” e o
chamado “Processo total”, em que as suas erradas filtrações aquecidas e em carvão, além
de adulterarem a polpa, não eliminam o excesso tóxico de antraquinonas, polissacarídeos e
os componentes igualmente tóxicos da casca.

A polpa fresca e pura contém ingredientes positivos, como o acetilato de “Betaglucomannan”  (conhecido comercialmente como, Acemenann), também ligninas, Saponinas,
corticosteroides e outros pequenos polissacarídeos, que são, juntamente com a água da
polpa, extremamente activos”.
Também o Técnico especializado em Aloé Vera John Sigrist corrobora o mesmo ponto de
vista comentando:

A Aloína como um dos antraquinonas, (que fazem aumentar os polissacarídeos junto com
açucares) é o principal agente activo do Látex que é considerado uma droga. Esse óleo é um
complexo laxativo tóxico e tem efeitos nefastos para a saúde quando usado no concentrado
do “Yellow Sap” (ou o suco amarelo da folha)”.

Continuando com a sua investigação a Engª. M.Orquidia conclui:
“Para evitar a contaminação, apesar de ser  mais favorável economicamente para os
produtores, a folha não deve ser espremida como o processo chamado de “whole Leaf”,
para o parênquima não ser infectado com fibras  da casca e Latex, …evitando também os
processos de filtragem e fervuras bem como a adição de ingredientes extras para fazer
aumentar ainda mais e artificialmente os polissacarídeos.”

Os polissacarídeos e outros ingredientes de um determinado parênquima de uma folha com
cerca de 500gr, fazem parte dos cerca de 0,8% sólidos que estão naturalmente na polpa e não
dão cor ao produto final. O resto é água própria rica em outros nutrientes. Não se deve
adulterar a sua natureza só por aumentar artificialmente o número de polissacarídeos (grupos
sacarídeos, p. Ex., amidos, açucares, caramelo etc. ou adicionando até mesmo a Aloína em
pó), como acontece com algumas empresas nas suas “guerras” comerciais com declarações e
comparações sobre a quantidade de polissacarídeos. Talvez pretendam enganar o consumidor
por fazer parecer que, quanto maior o numero de polissacarídeos, melhor é o seu produto, o
que não é verdade e especialmente no caso da extracção pura da polpa de Aloe Vera.
Conforme conclui o Dr. Barret Hayes (especialista em medicina interna no Texas):
“O aumento de polissacarídeos, não significa dar qualidade ao produto mas sim alterar a
sua natureza benéfica, especialmente do parênquima que, não deve conter mais do que
aquilo que a natureza o dá.”

É no contexto natural dos ingredientes da polpa incolor e fresca (sem Aloína) que estão as
tais propriedades que fazem da Aloe Vera uma planta rainha.

ATENÇÃO:
Produtos que contêm ou declaram altos teores de polissacarídeos, ou estão contaminados pela
Aloina em pó, ou Aloe-Emodina, ou têem a polpa oxidada, ou ainda contêm acrescentos de
açúcares artificiais ou outros adoçantes como caramelo, etc. que, fazem disparar o seu
número. Normalmente esses produtos são amarelados ou acastanhados e têm ou um paladar
adocicado (se acrescentam adoçantes) ou mesmo amargo (aloina), diferente do sabor neutro e
natural.

Mário Jorge C. Caetano
(Director Técnico da Portaloe)

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